Projetos

Caminhabilidade e a Primeira Infância – Uma proposta para transformar os espaços públicos em locais mais amigáveis para as crianças

Cidade Amiga da Criança
Belo Horizonte - Minas Gerais

Caminhabilidade e a Primeira Infância – Uma proposta para transformar os espaços públicos em locais mais amigáveis para as crianças

FINALISTA

Instituição de Ensino Superior:  Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

Participantes

Representante:

Leandro Cardoso

Professores:

Profa. Agmar Bento Teodoro
Profa. Daniela Antunes Lessa
Prof. Dimas Alberto Gazolla Palhares

Alunos:

Flávia Lima Mascarenhas Diniz
Leticia Jardim Melo
Ryane Moreira Barros
Izabela Daiana Horta
Maryna Moreira Barros
Luciana Paula Rincon

 

Descrição do Projeto

As ruas representam um lugar proibido para muitas crianças, seja pela percepção de insegurança que os pais têm desses espaços ou por não atenderem às necessidades dos mais vulneráveis, sobretudo se os pedestres forem crianças. A iniciativa proposta se refere ao desenvolvimento de um índice de caminhabilidade que considere as necessidades da primeira infância. O conceito de caminhabilidade se refere ao quão amigável é o espaço de circulação para os pedestres. Assim, índices de caminhabilidade são ferramentas que podem auxiliar no replanejamento do espaço urbano, de modo que este passe a ser mais inclusivo. 

Seguem abaixo informações referentes a cada um dos critérios de avaliação. 

 

Critério 1: Capacidade de promover a interdisciplinaridade

A equipe envolvida na elaboração do projeto é composta por discentes dos cursos de Graduação em Engenharia Civil e de Transportes, Pedagogia, Medicina, Química Tecnológica, e de Mestrado em Geotecnia e Transportes, além de docentes dos dois primeiros cursos já citados. A experiência do caminhar para uma criança na Primeira Infância envolve muitos aspectos, como: a estrutura físico-espacial da localidade e sua acessibilidade (Engenharia Civil e de Transportes e Mestrado em Geotecnia e Transportes), o estímulo ao desenvolvimento desta (Pedagogia e Medicina) ou até mesmo como determinadas substâncias presentes nesse ambiente podem afetar as pessoas (Química Tecnológica). Sendo assim, os discentes e suas áreas possuem um papel fundamental no desenvolvimento do projeto, sendo responsáveis por realizar a revisão bibliográfica que auxiliará na construção do índice de caminhabilidade. Com a orientação dos docentes, trabalharão no desenvolvimento de um questionário que será aplicado a pais e/ou responsáveis, cuidadores, professores, pedagogos, pediatras e outros especialistas na Primeira Infância, dentre outras atividades.

 

Critério 2: Comprometimento com a perenidade da iniciativa 

A disciplina A Cidade e o Transporte: Planejamento, Gestão e Sustentabilidade, do Curso de Mestrado em Geotecnia e Transportes da UFMG, ministrada pelo professor orientador deste projeto, tem uma seção dedicada à Educação para o Trânsito, que destaca o estudo da mobilidade de crianças, fruto da experiência do docente em projetos de capacitação de crianças e adolescentes, estudantes de escolas e Ensino Fundamental de Belo Horizonte. A  PUC Betim, parceira desta iniciativa, através do curso de graduação em Medicina possui um projeto voltado para a Primeira Infância, onde também é temática em algumas disciplinas práticas e teóricas, a saber: Introdução ao Raciocínio Clínico e Epidemiológico II: Infância e Adolescência; Práticas a Comunidade II: Infância e Adolescência, Semiologia Médica Geral (Pediatria); Internato Obrigatório VI: Pediatria. A experiência da discente de Medicina nessas temáticas pode contribuir para que outras práticas sejam desenvolvidas e incorporadas às disciplinas atualmente ofertadas pelos professores que integram o projeto.

Parte do escopo do projeto envolve a reestruturação de espaços de circulação de pedestres em áreas escolares de Educação Infantil de Belo Horizonte. As escolas atendem crianças em situação de vulnerabilidade e acredita-se que a implantação do projeto torne tais espaços mais seguros, convidativos e inclusivos. Nesse contexto, a experiência construída no Desafio Universitário pode servir como piloto para ampliar o alcance da proposta para outras regiões da cidade, as quais se encontram em situação congênere. Além disso, espera-se que o aplicativo a ser construído seja aprimorado, com a possibilidade de se tornar uma ferramenta compartilhada pela população belo-horizontina, indicando quais são as rotas pedonais mais adequadas, a partir da indicação de origens e destinos de interesse. 

 

Critério 3: Potencial de impacto da solução apresentada 

Os beneficiários estão, prioritariamente, em áreas de maior vulnerabilidade social, visto que estas, em geral, são as que mais carecem de melhores condições de caminhabilidade. Os resultados obtidos por meio da aplicação deste podem levar a melhorias, tanto por parte do Poder Público quanto por parte da iniciativa privada, que impactam na qualidade de vida das crianças, de suas famílias e de todos os que se deslocam nestas localidades. 

O público prioritário do projeto é constituído por crianças na Primeira Infância e seus respectivos responsáveis (cuidadores e/ou pais). Crianças com idade entre 0 e 6 anos necessitam de locais que sejam amigáveis e seguros para que possam passear, tomar sol, se deslocar a pé, brincar e socializar com outras crianças.

Embasamento teórico: podem ser citados como exemplo do embasamento teórico a ser utilizado: publicações sobre a temática caminhabilidade (proveniente de grupos de pesquisa de algumas IES ou de entidades como o ITDP Brasil), documentos que tratem sobre a temática Urban95, publicações internacionais sobre crianças e trânsito (como o documento crianças em movimento da Comissão Europeia ou até mesmo o documento Dez estratégias para a segurança de crianças no trânsito da Organização Mundial da Saúde). Alguns autores consagrados também tratam brevemente sobre o tema, como é o caso de Jeff Speck, Jane Jacobs, Jan Gehl e até mesmo a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP).

Objetivo: o cenário existente será identificado por meio da etapa de caracterização e diagnóstico da área objeto de estudo do projeto. Após a aplicação do índice de caminhabilidade na localidade selecionada, propõe-se que sejam realizadas modificações nas áreas identificadas como prioritárias. Sendo assim, espera-se que a área selecionada seja transformada em uma espacialidade mais amigável para a circulação e a permanência de crianças, fazendo com que estas passem a usufruir das ruas e dos espaços urbanos de forma mais frequente e segura.

Indicadores: durante os seis meses de implantação inicial do projeto será escolhida uma localidade para teste do índice de caminhabilidade e do aplicativo proposto. Nessa localidade será possível realizar a aplicação do índice antes e após as ações de modificação/requalificação do espaço, para que seja possível verificar se, de fato, as modificações propostas foram suficientes para readequar a área às necessidades das crianças. A população residente nas proximidades da área selecionada para este estudo também deverá ser entrevistada, para que seja possível perceber se houve mudanças efetivas na percepção que ela tem de tal espaço. Avaliando a quantidade de crianças na Primeira Infância que circulam na localidade, antes e após a intervenção, poderá ser verificado o grau de efetividade do índice na concepção de espaços urbanos mais amigáveis para as crianças.

Instrumentos: para observar se, de fato, as ações de melhorias fizeram diferença na vida da população local, pode-se propor a contagem de pedestres na localidade, bem como entrevistas com moradores locais e transeuntes antes e após as ações de melhoria, além é claro o uso dos indicadores já citados.

 

Critério 4: Efeito multiplicador 

No decorrer do projeto serão realizadas reuniões para que as ações que estão sendo executadas sejam compartilhadas, bem como serão compartilhados os resultados e as lições aprendidas. Por meio das redes sociais será criado um canal oficial do projeto para que este seja divulgado, bem como possam ser compartilhadas notícias e materiais referentes aos mesmos. A divulgação do projeto e o avanço do seu desenvolvimento também será divulgado em aulas nas IES e em palestras sobre o tema, que serão realizadas nas IES envolvidas e em parceiras. No caso das comunidades envolvidas nas ações de requalificação do espaço, estas poderão ser informadas tanto por meio do canal online quanto por meio de reuniões presenciais com os envolvidos.

O índice de caminhabilidade proposto será construído de modo que os indicadores que o compõem sejam o mais abrangente possível. Portanto, espera-se que este possa ser replicado em diversas localidades, tanto no que se refere a diferentes realidades sociais quanto ao que se refere a distintas localizações geográficas. Ademais, a proposta de desenvolvimento de um aplicativo que auxilia na apuração das condições de caminhabilidade torna potencialmente ampliado o alcance da proposta, tendo em conta que outros pesquisadores, planejadores e administradores/gestores públicos tenham acesso a uma ferramenta gratuita, de interface amigável e de aplicação ágil.

 

Critério 5: Inovação 

Ainda que seja relativamente recente o conceito de caminhabilidade, diversos índices de caminhabilidade vêm sendo desenvolvidos com distintas abordagens. Entretanto, até o momento, não foi identificado na literatura nacional e internacional, nenhum índice de caminhabilidade que considere, de fato, as necessidades da Primeira Infância. Portanto, trata-se de uma proposta inovadora. A iniciativa também objetiva desenvolver um aplicativo que possa auxiliar na aplicação do índice, bem como na aplicação deste nas mais diversas localidades, podendo, assim, beneficiar locais de alta vulnerabilidade.

Contatos:

Leandro Cardoso: leandro@etg.ufmg.br

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