Projetos

Fortalecimento das Relações Socioafetivas das Crianças da Casa Abrigo de Araguaína/TO

Parentalidade
Araguaína - Tocantins
FINALISTA
Divulgação

Instituição de Ensino Superior:  Universidade Federal do Tocantins

Participantes

Representante:

Thelma Pontes Borges

Professores:

Prof. Miguel Pacífico Filho
Prof. Eduardo Fagner Machado de Pinho

Alunos:

Maria Catarina Cardoso Ferreira
Naiane Monsita da Silva
Pedro Henrique Eustáquio Rodrigues
Giliana Zeferino Leal Mendes  (Egressa Voluntária)
Milca Dias Ramos
Nathalia Araujo Bezerra
Elk Karine Alves da Silva

Descrição do Projeto

A Casa Abrigo de Araguaína de Tocantins acolhe crianças vítimas de maus-tratos, negligência e abuso sexual. Em 2019 foram atendidos 165 bebês e 371 crianças, cujas famílias são em sua maioria vulneráveis socialmente, com grande parte dos lares chefiados por mulheres. A iniciativa tem como objetivo trabalhar na Casa em três frentes distintas e complementares: 1 – Através de cursos de formação para os servidores sobre desenvolvimento infantil e formação afetiva; 2 – Palestras e acompanhamento com visitas domiciliares às famílias das crianças de 0 a 6 anos que se encontram abrigadas ou em processo de retorno familiar; 3 – Mapeamento, a partir dos cadastros das crianças dos setores/bairro da cidade mais vulneráveis à fragilidade parental.

Seguem abaixo informações referentes a cada um dos critérios de avaliação. 

 

Critério 1: Capacidade de promover a interdisciplinaridade

A proposta é composta por docentes e alunos de três cursos de duas instituições da cidade e seis disciplinas diferentes: 1) Professores de Psicologia para oferta de formações de cursos e acompanhamento das visitas; 2) Alunos de Letras e Psicologia para acompanhamento dos pais (ensinando a brincar e ler); e 3) Professor e aluno de Geografia mapeando as regiões da cidade com mais casos na Casa Abrigo. As respectivas frentes de trabalho são: 1) nos cursos para os Técnicos da Casa Abrigo, os alunos participarão da organização e como ouvintes do processo e, nos cursos para pais, auxiliarão nas atividades das oficinas; 2) nas atividades com as crianças na Casa e com as famílias nas residências serão protagonistas e, sob supervisão dos docentes, irão conduzir as atividades práticas de leituras, brincadeiras e orientações aos cuidadores; 3) no mapeamento da vulnerabilidade à infância o discente coletará os dados nos arquivos da Casa e auxiliará em sua análise; 4) todos os discentes participarão de grupo de estudo, supervisão, avaliação e escrita das experiências do projeto, com vistas a produção de artigos científicos e divulgação. Como todas as atividades serão debatidas, supervisionadas e avaliadas, o discente terá a oportunidade de relacionar teoria à prática de forma dialética podendo elaborar novos processos conceituais.

 

Critério 2: Comprometimento com a perenidade da iniciativa 

A Universidade não tem projetos oficiais voltado para Primeira Infância, contudo os responsáveis por esta proposta acompanham há mais de dois anos o trabalho desenvolvido na Casa Abrigo de Araguaína. Há interesse em tornar a proposta um programa contínuo na UFT, sendo necessário seu cadastro no sistema interno de extensão (SIGPROJ) que passará por uma avaliação para aprovação. 

Foram envolvidos 3 parceiros externos na proposta: 1) docente e alunos do curso de Psicologia de uma IES privada, que terão participação em todas as etapas do projeto; 2) A Casa Abrigo, que foi envolvida na elaboração da proposta, é beneficiária direta da ação e tem grande interesse na perenidade do projeto; 3) A Vara da Infância e Juventude, que se comprometeu a viabilizar a proposta, independentemente de mudanças políticas ocorridas em 2021. A iniciativa tem pretensão de realizar parceria com a prefeitura e também apresentar os resultados as associações de bairro com maior incidência do projeto.

 

Critério 3: Potencial de impacto da solução apresentada 

Os principais beneficiários do projeto são os 52 servidores da Casa Abrigo e as famílias que acompanham crianças de 0 a 6 anos. No 1º semestre de 2021, eles são responsáveis pelos mais diversos trabalhos. O projeto também visa fortalecer as relações parentais dos cuidadores responsáveis (familiares e institucionais) por crianças já vitimadas pelos laços familiares e sociais com vistas a diminuição da fragilidade socioemocional através de visitas domiciliares.

Embasamento teórico: a proposta se vincula ao Mestrado da UFT na linha de pesquisa “Vulnerabilidade e Dinâmicas Regionais” e pretende realizar intervenções pautadas nos estudos pelo olhar psicanalítico que considera a infância como momento formativo da psique humana. Autores como Vera Iaconelli, Daniela Teperman, Françoise Dolto auxiliarão na fundamentação sobre os efeitos subjetivantes da parentalidade na infância e a condição para um sujeito desejante. Do ponto de vista da inteligência serão utilizados as Teorias de Piaget e seus representantes no Brasil como Lino de Macedo, Yves de La Taille, Maria Thereza C. C. de Souza. E para debates sobre vulnerabilidade social: Robert Castel e Amartya Sen. As intervenções ocorrerão pelo viés dialógico com um olhar de parentalidade capaz de instituir um sujeito desejante e dessa forma garanta a estruturação emocional, cognitiva e social da criança. 

Objetivo: a Casa Abrigo dispõe de servidores que não passaram por capacitação específica relativas a sua função ou desenvolvimento humano, atuando a partir do que entendem por suas vivências de como cuidar de uma criança. Espera-se que após seis meses de atuação os servidores fortaleçam uma compreensão acerca de seu papel nas relações de cuidado e socioafetivas e que desenvolvam capacidade de instituir um plano de ação socioeducativa/afetiva junto às famílias mais vulneráveis à perda do pátrio poder e/ou de remoção temporária dos filhos. Junto às famílias esperam-se que desenvolvam características relacionais e de cuidado que promovam o bem-estar emocional e físico dos filhos.

Indicadores: os indicadores das ações são: 1) Implementação de novos serviços (institucionais e municipais), 2) Qualidade dos serviços instituídos, 3) Dificuldades apresentadas, 4) Ações de superação. Os indicadores das avaliações são: 1) compreensão do conteúdo, 2) aplicabilidade ao cotidiano, 3) mudanças ocorridas a partir dos cursos/encontros, 4) percepção das relações socioafetivas com as crianças, 5) dificuldades encontradas.

Instrumentos: para avaliar as ações: 1) Serão aplicados questionários no final de cada encontro com os servidores; 2) As famílias farão ao final de cada curso uma avaliação oral; 3) as visitas domiciliares serão avaliadas de forma dialética entre a família e a equipe a cada visita. As avaliações sustentarão relatórios mensais e análise da evolução.

 

Critério 4: Efeito multiplicador 

A proposta tem por objetivo unir atividade de intervenção com a de pesquisa e, para tanto, os membros da equipe farão diários de campo com o objetivo de produzir dados de observação participantes das atividades que subsidiarão a escrita de três artigos que serão submetidos a revistas científicas: a) espacialização da vulnerabilidade parental em Araguaína; b) aspectos formativos na relação família-equipe; c) resultados de intervenção na Casa Abrigo de Araguaína. 

O projeto é passível de replicação em outras comunidades, desde que sejam respeitadas e incorporadas as características da localidade. A replicabilidade pode ocorrer em todas as frentes da proposta, a saber: 1) Nos cursos com o corpo técnico e com os pais da Casa serão abordados conhecimentos sobre parentalidade a partir do viés psicanalítico através de uma metodologia participativa que incorporará os problemas reais; 2) Nas visitas às famílias utilizaremos o método dialógico e de intervenções práticas de brincadeiras e leituras de história (descrita em literatura especializada); 3) No mapeamento das fragilidades parentais utilizar-se-á de metodologia científica de pesquisa com análise de dados quantitativos e de espacialização dos dados com a constituição de mapas. Todas as atividades serão descritas em artigos científicos evidenciando com clareza os procedimentos utilizados.

 

Critério 5: Inovação 

A abordagem é inovadora em duas frentes complementares: desenvolver uma metodologia de atuação junto às famílias em visitas domiciliares e aos servidores mesclando informações, conhecimentos, brincadeiras e leituras, na perspectiva de servir de modelo sobre como se relacionar, e desenvolver a criança pela interação afetuosa, promovendo o desenvolvimento motor, linguístico, social e afetivo. Inova também ao propor o diagnóstico e produção de conhecimento acerca dos bairros mais vulneráveis aos laços parentais permitindo a constituição de políticas mais assertivas em territórios previamente identificados.

Contatos:

Thelma Pontes Borges: thelmapontes@uft.edu.br

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