Projetos

Futurus Infância

Cidade Amiga da Criança
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro
VENCEDOR
Divulgação

Instituição de Ensino Superior:  Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

Participantes

Representante:

Rafael Pinho de Morais

Alunos:

Irving Merath Reis Almeida
Regina Viana de Carvalho Faria
Alexandre Fonseca Gomes

Descrição do Projeto

No Brasil há uma enorme desigualdade no acesso à saúde e à educação. Na comunidade da Mangueira (RJ), por exemplo, das 300 crianças nascidas na comunidade em 2018, cerca de 100 não tiveram atendimento pré-natal mínimo; além disso, o percentual de gravidez na adolescência e de partos prematuros no local é maior do que a média nacional. O objetivo do projeto é criar um aplicativo que se divide em 6 funcionalidades: mapear áreas de lazer e instituições; listar serviços prestados por estas; listar emergências prestadas por estas; indicar as instituições do primeiro, segundo e terceiro setor mais próximas que forneçam os serviços ou emergências buscados pelo usuário; avaliar o atendimento por nota do usuário; orientar sobre questões de saúde e cuidado da criança, maternidade e parentalidade, por meio de textos e fotos explicativas. O aplicativo será desenvolvido com foco nas necessidades das famílias mais vulneráveis. 

Seguem abaixo informações referentes a cada um dos critérios de avaliação. 

 

Critério 1: Capacidade de promover a interdisciplinaridade

O projeto nasceu interdisciplinar e envolve diversos cursos da IES, sendo:

Ciências Econômicas: tratar e analisar os dados demográficos e socioeconômicos e de saúde para definir a estratégia que maximize os resultados do projeto, considerando os recursos (escassos) disponíveis; Engenharia Elétrica: desenvolver o código do aplicativo e viabilizar suas funcionalidades; Odontologia, Medicina, Psicologia, Nutrição, Enfermagem e Pedagogia: criar conteúdo didático-científico para as orientações sobre saúde e cuidados para gestantes, bebês e crianças de 0 a 6 anos. 

A divulgação e o fechamento de parcerias serão realizados por todos os cursos, com o apoio de alunos de Administração e Marketing. Todos os campos contribuirão também com as pesquisas sobre o impacto da atenção sobre a primeira infância. A atuação conjunta, colaborativa e – por definição – interdisciplinar é o que permitirá o atingimento dos objetivos do projeto.

Os alunos terão papel fundamental pois serão os mais atuantes no projeto. Economia – utilizarão conhecimentos de análise de dados, planejamento urbano, gestão de projetos e desenvolvimento econômico. Odontologia, Medicina, Enfermagem, Nutrição, Psicologia, Pedagogia – mapearão as instituições de saúde e serviços relacionando suas funções com as necessidades encontradas por gestantes e crianças em situação de vulnerabilidade. Farão visitas a postos de saúde para promoção da saúde e do uso do aplicativo. Também serão responsáveis por produzir (para o aplicativo) orientações didáticas acessíveis ao público-alvo, a partir de conteúdo científico, cobrindo as principais necessidades da parentalidade, como atenção pré-natal e puerperal, amamentação etc. Engenharia elétrica – desenvolverá os sistemas operacionais, preferencialmente em linguagem de código, necessários para automação da informação. Os alunos de todos os cursos ajudarão nas pesquisas sobre primeira infância e ciência de dados.

 

Critério 2: Comprometimento com a perenidade da iniciativa 

A IES possui diversos projetos para a primeira infância. A Odontologia possui o projeto “Cuidar” – um grupo de estudos e projeto de extensão sobre aleitamento e cuidado infantil que desenvolve atendimentos ao público e pesquisas científicas. A Nutrição possui o “Brincando com nutrição” para a promoção da saúde com práticas educativas em nutrição para crianças internadas na enfermaria da pediatria do Hospital Universitário Pedro Hernesto (HUPE), da IES. A Enfermagem possui o “Saúde é brincadeira” que promove atividades educativas e recreativas nos ambulatórios do HUPE. Além disso, o curso de Odontologia já produziu aplicativos para o auxílio de diagnósticos – Bucal App – em parceria com a IES. 

Além das parcerias internas com professores de outros cursos, também há o apoio do Hospital Pedro Hernesto e de pesquisadores de outras instituições de saúde como o Instituto Fernandes Figueira e Hospital Menino Jesus, referências na área de saúde neonatal e pediatria. Todos auxiliarão na construção do conteúdo para orientações e no feedback da viabilidade do aplicativo. Já foi firmada parceria com unidades de saúde locais e está sendo considerada parceria com a associação de moradores e ONGs de atuação com primeira infância na comunidade da Mangueira. Elas informarão os serviços que oferecem e compartilharão dados sobre o perfil da comunidade que atuam, ajudando no mapeamento da população. Todas as instituições serão responsáveis por divulgar o aplicativo aumentando sua adesão na comunidade. Ademais, os parceiros locais serão convidados a compartilhar seu WI-FI com o público-alvo para que façam download do app e baixem conteúdo para consulta off-line.

A pró-reitora de extensão da UERJ apoia o projeto, que se tornará um projeto de extensão na próxima janela de submissão da IES. O apoio é justificado porque unifica os demais existentes e os fortalece. É também com vistas à perenidade que estão buscando a submissão a outros editais de fomento e pesquisa. O orçamento do Desafio será aplicado essencialmente em bolsas para alunos dedicados ao projeto. Secundariamente, será usado para banners de divulgação. A IES, por ora, assegura como contrapartida o custeio básico: impressão de documentos e materiais de papelaria.

Após os 6 meses de implementação e avaliação, buscar-se-á perenizar a iniciativa, o que requererá bolsas para alunos para que façam a atualização do app e produzam pesquisa com os dados gerados. O objetivo inicial é atuar na comunidade da Mangueira, medir adequadamente seu impacto, e então ampliar para comunidades próximas como Morro da Formiga e Morro dos Macacos, conforme os resultados esperados forem atingidos. Por fim, almeja-se que o app auxilie profissionais de saúde no diagnóstico de doenças, usando as pesquisas com os dados primários gerados pelo app.

 

Critério 3: Potencial de impacto da solução apresentada 

Os beneficiários são famílias com crianças 0-6 anos vivendo em contexto de alta vulnerabilidade econômico-social, sendo o foco inicial a comunidade da Mangueira, que contava com cerca de 4 mil famílias em 2007 (não há dados atualizados, nem oficiais). É um local que conta com amas de leite e gravidez na adolescência de forma frequente, além de riscos de transmissão de doenças e alta mortalidade infantil. 

A interação com o público se deu de forma direta e indireta. A primeira foi através dos programas de atendimento em odontopediatria e pediatria realizados pela UERJ, do qual participam dois membros da equipe. Nessas atividades, foi possível aprender sobre a realidade das famílias que necessitam dos serviços disponibilizados pela IES e que se beneficiarão do projeto. De forma indireta, está sendo possível aprender por meio do contato com creches, ONGs e associação de moradores da comunidade. Pretende-se realizar visitas à comunidade e suas unidades de saúde e educação, a fim de desenvolver um aplicativo que melhor atenda às reais necessidades de ofertantes e demandantes de serviços de saúde e educação na comunidade. As visitas servirão também para divulgar o aplicativo para profissionais e público-alvo. Isso aumentará a visibilidade do projeto e atrairá mais usuários.

Como cenário futuro, espera-se que o app difunda informações sobre cuidados e serviços (inclusive do SUS). E com as orientações sobre saúde e emergências instruir o usuário, diminuindo as filas de espera.

Embasamento teórico: o desenvolvimento do aplicativo cumpre o objetivo de dar assistência à primeira infância, nos termos de Heckman (2013). É baseado no guia de lei e política de desenvolvimento de aplicativos na saúde (Parker et al., 2017) e em trabalhos semelhantes dos autores (Gama LN, Tavares CMM,2019) sobre desenvolvimento e avaliação de aplicativos para saúde. Com o trabalho “Avaliação de impacto na prática” de Gertler et al. (2018), serão gerados e aprimorados os índices de impacto na comunidade. Serão utilizados também as pesquisas e levantamento sobre planejamento municipal no RJ (CIESP, 2015); Impacto no desenvolvimento da primeira infância sobre desenvolvimento (NCPI, 2014); Plano nacional pela primeira infância (RNPI, 2000). Além disso, a base de dados OBSERVA, criada pelo grupo RNPI em 2020, será utilizada para monitoramento e planejamento das ações. A linha de pesquisa em Medicina e Odontologia preventiva (Pinto, 2019) norteará a seção de orientações e emergências do app pautadas na prevenção e promoção em saúde.

Objetivo: criar aplicativo com informações gerais visando gerar inclusão através do desenvolvimento sociocognitivo e psicomotor das crianças de 0 a 6 anos em situação de vulnerabilidade e/ou com necessidades especiais;

Indicadores: evolução de cadastro, utilização do app, número de downloads e avaliações no Google Play; percepção de aumento na qualidade de vida por meio de perguntas como “houve melhoria do acesso à informação na região”, “houve diminuição de dúvidas quanto a cuidados de saúde”, “as informações presentes são relevantes”, “o app é de fácil manipulação”. Em seis meses, espera-se aumentar os atendimentos aos pacientes em 10%. Esse número será monitorado por meio de métodos estatísticos usando o IBM SPSS com as informações dos questionários.

Instrumentos: questionários distribuídos nas unidades de saúde a cada 2 meses.

 

Critério 4: Efeito multiplicador 

As ações de sistematização serão executadas pelos próprios alunos, membros do projeto, e registradas pela equipe da Futurus. Utilizar-se-á Facebook, Instagram e LinkedIn, além de site institucional. Serão divulgados em congressos e simpósios anuais da IES e de outras instituições, e publicados em periódicos, tanto a iniciativa quanto seu conhecimento técnico-científico gerado e suas metodologias. As datas desses eventos serão administradas por meio do google calendar compartilhado.

 

Critério 5: Inovação 

Inovação: inovação disruptiva, com o cruzamento de dados demográficos, médicos, estatísticos e georreferenciamento. A construção do aplicativo utilizará a metodologia ágil de desenvolvimento de software, tornando-a flexível e mais veloz. Utilização do método System Usability para avaliação qualitativa da ferramenta pelos usuários. O projeto ainda permitirá traçar o perfil do usuário e acompanhar a evolução dos resultados através da criação de dados primários.

 

Outras informações:

https://radios.ebc.com.br/revista-rio/2020/12/projeto-da-uerj-e-um-dos-vencedores-do-i-desafio-universitario-da-primeira

https://www.facebook.com/futurusuerj2020/

Contatos:

Rafael Pinho de Morais: rpinhodemorais@gmail.com

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